O pior ainda não passou: Proteção Civil alerta para risco elevado de inundação nestes municípios. ‘Marta’ traz muita chuva e ventos de 100 km/h

Portugal continental continua sob forte pressão meteorológica e o cenário de instabilidade está longe de terminar.

Pedro Gonçalves
Fevereiro 6, 2026
13:02

Portugal continental continua sob forte pressão meteorológica e o cenário de instabilidade está longe de terminar. No balanço feito ao final da manhã, o comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, avisou que o país atravessa “tempos difíceis e complexos” e sublinhou que, apesar de algum desagravamento temporário da precipitação, uma nova depressão irá agravar novamente as condições atmosféricas nas próximas horas.

Depois da depressão Leonardo, o território será agora afetado pela depressão Marta, que deverá atingir o país com chuva intensa e vento forte, sobretudo entre a noite de sexta-feira e sábado.

“Vai manter-se o quadro meteorológico da depressão Leonardo, com algum desagravamento do ponto de vista da precipitação, mas vamos ser afetados por uma nova depressão, a depressão Marta, que irá trazer chuva intensa, nomeadamente na noite de sexta para sábado”, explicou.

Segundo o responsável, estão previstas “rajadas que podem chegar aos 100 quilómetros por hora”.

Com os solos já saturados pela sucessão de sistemas frontais anteriores, o risco aumenta significativamente. Silvestre recordou que a passagem da depressão Kristin deixou estruturas fragilizadas.

“O cuidado deve ser maior, porque há maior potencial de queda de árvores e estruturas. Exortamos toda a população a comportamento seguro, para que não tenhamos mais vítimas a registar.”

Municípios em risco elevado de inundação
A situação hidrológica é, neste momento, uma das maiores preocupações das autoridades. Vários rios apresentam caudais elevados e risco significativo de transbordo.

Rio Vouga

  • Albergaria-a-Velha
  • Aveiro
  • Estarreja
  • Ílhavo
  • Murtosa
  • Ovar
  • Vagos
  • Cantanhede

Rio Águeda

  • Águeda

Rio Mondego

  • Cantanhede
  • Coimbra
  • Condeixa-a-Nova
  • Figueira da Foz
  • Miranda do Corvo
  • Montemor-o-Velho
  • Soure

Rio Tejo

  • Abrantes
  • Almeirim
  • Alpiarça
  • Azambuja
  • Benavente
  • Cartaxo
  • Chamusca
  • Constância
  • Coruche
  • Entroncamento
  • Gavião
  • Golegã
  • Mação
  • Salvaterra de Magos
  • Santarém
  • Vila Franca de Xira
  • Vila Nova da Barquinha

Rio Sorraia

  • Coruche
  • Benavente

Rio Sado

  • Alcácer do Sal
  • Santiago do Cacém
  • Grândola
  • Alvito
  • Ourique
  • Ferreira do Alentejo

O comandante confirmou que algumas destas zonas já registam problemas no terreno: “Continuamos com inundações em Coruche e mais a sul em Alcácer do Sal. Neste momento estas são as zonas de maior enfoque de preocupação.”

Alertou ainda que todos os afluentes que desaguam nestes grandes rios podem igualmente transbordar, alargando o risco a áreas circundantes.

“Todos os cursos de água que vão desaguar nestes rios principais vão ter potencial de inundação.”

Risco moderado, mas ainda preocupante, noutros rios

Embora com menor gravidade, existem outras bacias hidrográficas sob vigilância.

Rio Lima

  • Arcos de Valdevez
  • Ponte da Barca
  • Ponte de Lima

Rio Cávado

  • Braga
  • Barcelos
  • Vila Verde
  • Esposende

Rio Ave

  • Santo Tirso
  • Trofa
  • Vila Nova de Famalicão

Rio Douro

  • Gondomar
  • Porto
  • Vila Nova de Gaia
  • Lamego
  • Peso da Régua

Rio Tâmega

  • Chaves
  • Amarante

Rio Lis

  • Leiria

Rio Guadiana

  • Alcoutim
  • Castro Marim
  • Vila Real de Santo António

Descargas de barragens agravam pressão no Douro, Mondego e Tejo

Entre os pontos mais sensíveis estão três grandes rios nacionais.

“As principais preocupações são o rio Douro, em virtude das descargas de barragens espanholas; o rio Mondego, onde a quota da barragem subiu significativamente e estamos a conseguir fazer uma gestão muito fina dos caudais, para garantir que o dique não tem problemas de maior, com a APA a acompanhar; e o rio Tejo, por causa de descargas de barragens espanholas”, detalhou.

Operações no terreno mobilizam milhares

A resposta operacional mantém-se em grande escala. De acordo com o balanço apresentado:

  • 7.517 ocorrências registadas
  • mais de 26.000 operacionais mobilizados
  • 10.505 meios terrestres
  • 5 helicópteros em monitorização aérea dos cursos de água
  • mais de 2.000 quedas de árvores
  • 1.109 deslizamentos ou deslocamentos de terras
  • Estão também ativos 89 planos municipais de emergência e sete planos distritais.

“Muitos municípios têm feito trabalho de aproximação, evacuação, antecipação e aviso das populações”, sublinhou.

Perante a previsão de mais chuva e vento forte, a Proteção Civil insiste na necessidade de precaução máxima. O comandante deixou um apelo direto: “Exortamos toda a população a comportamento seguro.”

Com novas frentes meteorológicas a caminho e rios ainda sob pressão, as autoridades admitem que os próximos dias poderão ser decisivos para a evolução das cheias em várias regiões do país.

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